Colangite Aguda: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Entenda o que é a colangite aguda, quais são suas causas, os sintomas da tríade de Charcot e como o tratamento com drenagem biliar e cirurgia pode salvar vidas. Saiba quando buscar ajuda médica.
Colangite Aguda: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento | Dr. Carlos Humberto

A colangite aguda é uma infecção bacteriana grave das vias biliares, geralmente associada à obstrução do ducto colédoco. Trata-se de uma urgência cirúrgica que, sem tratamento adequado, pode evoluir para choque séptico e comprometimento de múltiplos órgãos, com risco de vida para o paciente.

O Que É a Colangite Aguda?

A colangite aguda ocorre quando bactérias colonizam a bile obstruída, causando inflamação e infecção do sistema biliar. Normalmente, a bile flui livremente pelo ducto colédoco até o duodeno. Quando esse fluxo é bloqueado, a bile estagnada favorece o crescimento bacteriano, levando à infecção sistêmica. A condição foi descrita pela primeira vez por Jean-Martin Charcot em 1877, e a chamada tríade de Charcot — febre, icterícia e dor no hipocôndrio direito — ainda é o principal marcador clínico da doença. Para entender melhor as doenças das vias biliares, é importante conhecer o contexto da colangite.

Causas e Fatores de Risco da Colangite Aguda

A causa mais comum da colangite aguda é a coledocolitíase — presença de cálculos no ducto colédoco — responsável por mais de 80% dos casos. Outros fatores que podem causar obstrução biliar e predispor à colangite incluem:

  • Estenoses benignas: Estreitamento do colédoco por lesões cirúrgicas ou pancreatite crônica.
  • Neoplasias: Tumores do pâncreas, ampola de Vater, colédoco ou vias biliares.
  • Colangite esclerosante primária: Doença inflamatória crônica que causa fibrose das vias biliares.
  • Parasitoses biliares: Infestações por Ascaris lumbricoides ou Fasciola hepatica.
  • Stents e procedimentos endoscópicos prévios: Migração ou obstrução de próteses biliares.
  • Colangiocarcinoma: Tumor maligno das vias biliares que pode causar obstrução progressiva.

Sintomas da Colangite Aguda

O quadro clínico da colangite aguda varia de formas leves a apresentações graves com comprometimento hemodinâmico. Os principais sintomas são:

  • Febre alta, frequentemente com calafrios;
  • Icterícia — coloração amarelada da pele e das escleras;
  • Dor no hipocôndrio direito ou epigástrica, tipo cólica biliar;
  • Náuseas e vômitos;
  • Hipotensão e alteração do nível de consciência nos casos graves (Pêntade de Reynolds).

A Pêntade de Reynolds — que acrescenta hipotensão e confusão mental à tríade de Charcot — indica colangite supurativa grave, com risco iminente de choque séptico e necessidade de intervenção urgente.

Diagnóstico da Colangite Aguda

O diagnóstico da colangite aguda é baseado na combinação de critérios clínicos, laboratoriais e de imagem, conforme as Diretrizes de Tóquio, referência mundial para o manejo dessa condição.

Exames Laboratoriais

Os exames de sangue revelam sinais de infecção e colestase: leucocitose com desvio para esquerda, elevação de bilirrubinas, fosfatase alcalina, gamaGT, transaminases e proteína C reativa. Hemoculturas devem ser coletadas antes do início da antibioticoterapia para identificar o agente causador.

Exames de Imagem

A ultrassonografia abdominal é o exame inicial, permitindo identificar dilatação das vias biliares e cálculos. A tomografia computadorizada oferece avaliação mais detalhada, identificando a causa da obstrução e possíveis complicações. A colangiorressonância magnética (CRMN) é o exame não invasivo mais preciso para visualizar o sistema biliar.

Tratamento da Colangite Aguda

O tratamento da colangite aguda envolve três pilares fundamentais: suporte clínico, antibioticoterapia e drenagem biliar urgente.

Suporte Clínico e Antibioticoterapia

O paciente deve ser internado, receber hidratação venosa e antibióticos de amplo espectro que cubram bacilos gram-negativos entéricos (Escherichia coli, Klebsiella) e bactérias anaeróbias. A escolha do antibiótico pode ser ajustada conforme os resultados das hemoculturas. Em casos graves, pode ser necessário suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Drenagem Biliar Endoscópica

A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é o método de escolha para drenagem biliar na maioria dos casos. O procedimento permite visualizar as vias biliares, remover cálculos, dilatar estenoses e colocar próteses (stents) para restabelecer o fluxo biliar. A CPRE deve ser realizada preferencialmente dentro de 24 a 48 horas do diagnóstico nos casos moderados e de forma urgente nas apresentações graves.

Drenagem Percutânea

Quando a CPRE não é tecnicamente possível ou falha, a drenagem percutânea trans-hepática das vias biliares (PTCD) é uma alternativa eficaz para descomprimir o sistema biliar e controlar a infecção.

Tratamento Cirúrgico da Colangite Aguda

A cirurgia fica reservada para os casos em que as abordagens endoscópica e percutânea falham, ou quando há necessidade de tratamento definitivo da causa subjacente (como tumores). A colecistectomia laparoscópica — remoção da vesícula biliar — é frequentemente indicada de forma eletiva após a resolução da colangite aguda para prevenir recorrências. Conheça mais sobre colecistectomia e cirurgia da vesícula em nosso blog. Para informações adicionais sobre tratamento das vias biliares, consulte os recursos do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Complicações da Colangite Aguda

Quando não tratada adequadamente e em tempo hábil, a colangite aguda pode evoluir para complicações graves, incluindo sepse biliar, insuficiência renal aguda, insuficiência hepática, choque séptico e abscesso hepático. A mortalidade da colangite grave ainda pode ser significativa, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades, tornando o diagnóstico precoce essencial. Informações sobre complicações biliares podem ser encontradas no Hospital Albert Einstein.

Prevenção e Acompanhamento

A principal medida preventiva da colangite aguda é o tratamento adequado da colelitíase e da coledocolitíase antes que ocorra obstrução. Pacientes com histórico de cálculos biliares, especialmente com episódios prévios de cólica biliar ou icterícia, devem buscar avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo. A remoção eletiva da vesícula biliar por via laparoscópica evita a progressão para complicações graves como a colangite aguda.

Quando Procurar Atendimento Médico

Febre, icterícia e dor abdominal são sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente. Diante da suspeita de colangite aguda, o paciente deve ser encaminhado imediatamente para um serviço hospitalar com capacidade de realizar CPRE e contar com um cirurgião do aparelho digestivo experiente. O diagnóstico e o tratamento precoces são determinantes para a sobrevida e a recuperação completa.

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