Diverticulite: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

A diverticulite é uma inflamação dos divertículos — pequenas bolsas formadas na parede do intestino grosso — e representa uma das doenças digestivas mais comuns em adultos acima dos 40 anos. Neste artigo, o Dr. Carlos Humberto explica as causas, os principais sintomas (como dor na fossa ilíaca esquerda e febre), os métodos diagnósticos e as opções de tratamento, desde o manejo clínico conservador até a cirurgia — indicada nos casos complicados ou recorrentes.
Diverticulite: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

Diverticulite: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

A diverticulite é uma condição inflamatória que afeta os divertículos — pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, especialmente no cólon sigmoide. É uma das doenças digestivas mais comuns em adultos acima dos 40 anos e sua incidência aumenta progressivamente com o envelhecimento. Embora muitos portadores de divertículos nunca desenvolvam sintomas, a diverticulite pode se manifestar de forma aguda e, em alguns casos, exigir intervenção cirúrgica.

Compreender os fatores de risco, os sintomas de alerta e as opções de tratamento disponíveis é fundamental para o manejo adequado dessa condição e para a prevenção de complicações potencialmente graves.

O que São os Divertículos e Como se Formam

Os divertículos são protrusões ou saliências que se formam em pontos de fraqueza da parede intestinal, geralmente onde os vasos sanguíneos a penetram. A diverticulose — presença de divertículos sem inflamação — é extremamente comum após os 50 anos, afetando mais de 40% da população nessa faixa etária. A dieta pobre em fibras e o aumento da pressão intraluminal são os principais mecanismos envolvidos na formação dos divertículos.

Como Ocorre a Diverticulite

A diverticulite se instala quando um ou mais divertículos se inflamam, geralmente devido à obstrução por fezes ou fragmentos alimentares, levando à proliferação bacteriana e inflamação localizada. O processo pode ficar restrito ao divertículo (diverticulite não complicada) ou se estender para os tecidos vizinhos, formando abscessos, fístulas, obstrução intestinal ou perfuração — situações que caracterizam a diverticulite complicada e exigem tratamento mais agressivo.

Sintomas da Diverticulite

O sintoma mais característico é a dor abdominal, tipicamente localizada na fossa ilíaca esquerda (lado inferior esquerdo do abdômen), onde o cólon sigmoide se encontra. A dor costuma ser de início gradual e pode ser acompanhada de febre, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia) e sensibilidade abdominal à palpação. Em casos de perfuração, a dor se torna difusa e intensa, com sinais de abdômen agudo que requerem atenção cirúrgica imediata.

Diagnóstico

O diagnóstico da diverticulite aguda é feito com base na avaliação clínica e confirmado por exames de imagem. A tomografia computadorizada do abdômen e da pelve é o exame de escolha, pois permite avaliar a extensão do processo inflamatório, identificar complicações (abscessos, perfuração, fístulas) e orientar a conduta terapêutica. Exames laboratoriais, como hemograma e proteína C reativa, são úteis para avaliar o grau de inflamação sistêmica.

Tratamento Clínico

A diverticulite não complicada, na maioria dos casos, responde bem ao tratamento conservador, que inclui repouso intestinal (dieta líquida ou sem resíduos), antibioticoterapia e analgesia. O tratamento pode ser realizado ambulatorialmente em casos leves, ou com internação hospitalar em situações mais graves. Após a resolução do quadro agudo, é fundamental investigar o intestino com colonoscopia para confirmar o diagnóstico, descartar neoplasia e avaliar a extensão da doença diverticular.

Tratamento Cirúrgico da Diverticulite

A cirurgia é indicada nos casos de diverticulite complicada (peritonite, perfuração, abscesso não responsivo à drenagem percutânea, fístula ou obstrução intestinal) e nos casos de diverticulite recorrente que impacta a qualidade de vida do paciente. O procedimento padrão é a ressecção do segmento intestinal acometido — geralmente a sigmoidectomia — com anastomose primária (quando possível) ou com colostomia temporária. As abordagens minimamente invasivas, como a videolaparoscopia, são preferidas por oferecerem menor morbidade e recuperação mais rápida.

Prevenção e Cuidados

A prevenção da diverticulite baseia-se em medidas que reduzem a pressão intraluminal e mantêm o intestino saudável: dieta rica em fibras (frutas, legumes, verduras e cereais integrais), ingestão adequada de líquidos, prática regular de atividade física e manutenção do peso saudável. Após episódios de diverticulite, o acompanhamento regular com o cirurgião digestivo é essencial para avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico eletivo e prevenir novas crises.

Para mais informações sobre doenças digestivas, consulte a Federação Brasileira de Gastroenterologia.

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